domingo, 7 de junho de 2015

Vitamina D contra imunodeficiências e cânceres

A vitamina D tem um papel não tão discutido quanto suas ações principais, mas não menos relevante, que é a interação com os promotores da imunidade humana. Tal como para os glicocorticoides, as células do nosso sistema imune (células B, T, apresentadoras de antígenos, entre outras) expressam receptores de vitamina D em suas membranas e são capazes de sintetizar o metabólito ativo de vitamina D (1,25-dihidróxiD3), o que justifica sua ação autócrina no sistema imune, modulando tanto as respostas inata como adaptativa. Essa modulação se dá semelhante a uma alça de feedback negativo, visto que a vitamina suprime a diferenciação de células T, mudando a resposta imune do braço Th1 pro braço Th2, inibe o braço Th17, inibe a proliferação de células B e a diferenciação das células dendríticas, entre outras ações.

Visto isso, na ocorrência de níveis baixos de vitamina D, a resposta imune se torna exacerbada, facilitando o reconhecimento de antígenos próprios. Além disso, desregulação na proporção dos braços Th1, Th2 e Th17 podem ocorrer, assim como expressão aumentada de algumas citocinas, como as IL-1, IL-6, IL-8, IL-12 e TNFα. Como resultado disso, a deficiência de vitamina D é encontrada em indivíduos portadores ou predispostos ao desenvolvimento de algumas doenças, como cânceres, artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico, esclerose múltipla (previamente discutida neste blog) e diabetes mellitus tipo 1. Um exemplo interessante da importância da vitamina D é o caso dos cânceres de mama e próstata, disfunções nas quais o papel do nutriente em questão (1,25(OH)D3) é diminuir a expressão das aromatases, enzimas que catalisam a produção de estrogênios a partir de androgênios, processo que ocorre em níveis particularmente altos nas células cancerígenas. O mecanismo de atividade da vitamina D como medida terapêutica preventiva nesse caso se dá de duas formas, que são a forma direta, ou seja, inibição da transcrição de aromatases, e a forma indireta, que é na diminuição da atividade biológica das prostaglandinas (em especial a PGE2), que são importantes estimuladoras das aromatases.

No caso das outras doenças, as terapias de reposição de vitamina D têm a função de reestruturar as respostas imunes do corpo, uma vez que reequilibram as expressões de Th1, Th2 e Th17, normalizam a secreção de interleucinas e a maturação e diferenciação de diversas células do sistema imune. 

Fontes: HOLICK, F. M. Sunlight and vitamin D for bone health and prevention of autoimmune diseases, cancers, and cardiovascular disease. The American Journal of Clinical Nutrition, vol. 80, n. 6, p. 1678S-1688S, 2004.

CUTOLO, M. Further emergent evidence for the vitamin D endocrine system involvement in autoimmune rheumatic disease risk and prognosis. Annals of the Rheumatic diseases, vol. 72, n. 4, p. 473-475, 2013.

ADORINNI, L.; PENNA, G. Control of autoimmune diseases by the vitamin D endocrine system. Nature Reviews Rheumathology, vol. 4, n. 8, p. 404-412, 2008.

ARANOW, C. Vitamin D and the immune system. Journal of Investigative Medicine, vol. 59, n. 6, p. 881-886, 2011.

6 comentários:

  1. Um excitante trabalho de pesquisa realizado na Creighton University School of Medicine, em Nebrasca, fornece provas novas e sólidas de que, isoladamente, a vitamina D é o medicamento mais eficaz contra o câncer ultrapassando de longe os benefícios de qualquer fármaco contra o câncer conhecido pela ciência moderna. Isso inclui o câncer de mama, de cólon, de pele e outras formas de câncer.
    O estudo envolveu 1179 mulheres saudáveis do Nebrasca rural. A um grupo de mulheres foi administrado cálcio (cerca de 1500 mg por dia) e vitamina D (1100 UI por dia), enquanto a outro grupo foi administrado placebo. Durante quatro anos, o grupo que recebeu os suplementos de cálcio e vitamina D revelou uma diminuição de 60 por cento do número de cânceres. Considerando apenas os últimos três anos do estudo, observa-se uma redução impressionante de 77 por cento do câncer devido aos suplementos.

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  2. Existem evidências de que o cálcio e vitamina D estão relacionados com redução da gênese do câncer colorretal. O câncer colorretal apresenta-se como o terceiro tipo de neoplasia mais prevalente de câncer em todo o mundo. Alguns estudos em animais têm evidenciado uma possível atuação do cálcio e da vitamina D como anticarcinógenos colorretal. Um dos mecanismos pelo qual o cálcio reduz o risco do câncer colorretal é a capacidade do cálcio em se ligar aos sais biliares e aos ácidos graxos ionizados, reduzindo o efeito destes compostos de proliferação celular da mucosa colônica. A ingestão maior do que 250g/dia de leite está relacionada com um menor risco de câncer colorretal quando comparada com uma ingestão menor do que 70g/dia, e o consumo de 500g/dia está associado com a redução em 12% do risco de câncer colorretal. Entretanto, melhor forma de se portar diante das estatísticas de câncer colorretal é impedir o aparecimento de novos casos. Isso se torna essencialmente verdadeiro quando se observa que o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença é a dieta. Os principais fatores de risco são: histórico familiar de câncer de cólon e reto, dieta com base em gorduras animais, baixa ingestão de frutas, vegetais e cereais, consumo excessivo de álcool e fumo, e idade avançada.

    Fonte: “Ingestão de Cálcio e Vitamina D e Risco de Câncer Colorretal: uma Revisão Bibliográfica”

    Disponível em: http://www.inca.gov.br/rbc/n_56/v02/pdf/12_revisao_de_literatura_ingestao_calcio_vinamina_d.pdf

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  3. O câncer de mama é o segundo tipo de neoplasia maligna mais frequente no mundo e o de maior incidência entre as mulheres. A maior parte dos casos tem caráter esporádico e dessa forma, aspectos nutricionais e de estilo de vida vêm ocupando posição de destaque nas pesquisas sobre a etiologia da doença. Embora com resultados conflitantes, alguns estudos sugerem que a vitamina D estaria envolvida na gênese do carcinoma mamário. A presença de receptores de vitamina D em múltiplos órgãos associada ao seu mecanismo de ação, que envolve transcrição gênica e síntese de proteínas, tem embasado um número crescente de publicações. Algumas pesquisas apontam a presença de uma associação de risco entre a deficiência dessa vitamina e o desenvolvimento de comorbidades como neoplasias, esclerose múltipla, diabetes, hipertensão arterial, aterosclerose e maior susceptibilidade a infecções microbianas. Além de atuar na homeostase óssea, a vitamina D age no epitélio mamário normal controlando o crescimento e a ramificação dos ductos mamários, além da diferenciação da célula mamária na gestação e lactação. Também possui efeitos anti-carcinogênicos tais como: bloqueio da progressão do ciclo de crescimento celular neoplásico nos estágios G0 / GI; estímulo da diferenciação celular e indução da apoptose de células cancerígenas.

    Referência: “Níveis séricos de vitamina D e câncer de mama no climatério: um estudo caso-controle”. Disponível em: < http://arca.icict.fiocruz.br/handle/icict/6429 >

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  4. De maneira geral, o efeito da vitamina D no sistema imunológico se traduz em aumento da imunidade inata associado a uma regulação multifacetada da imunidade adquirida, como abordado na postagem. Tem sido demonstrada uma relação entre a deficiência de vitamina D e a prevalência de algumas doenças autoimunes, entre elas a diabetes mellitus insulino-dependente. Na fisiopatologia do diabetes melito tipo 1, estão envolvidos vários mecanismos efetores que levam à destruição celular, incluindo a presença de linfócitos CD8+ e macrófagos, os quais regulam a diferenciação de células Th1 através da IL-12. Em modelos experimentais, utilizando camundongos diabéticos não obesos (NOD mice), a deficiência de vitamina D acelerou o início do DM1. Utilizando esse mesmo modelo, a suplementação precoce de 1,25(OH)2D3, antes da progressão do infiltrado mononuclear nas células pancreáticas, reduziu a insulinite autoimune e preveniu o desenvolvimento de diabetes. Estudos epidemiológicos têm mostrado que suplementação dietética com vitamina D na infância pode reduzir o risco de desenvolvimento da DM1. Estudo finlandês com acompanhamento de 30 anos evidenciou uma redução significativa da prevalência de DM1 em crianças que receberam suplementação de vitamina D diária (RR = 0,12).

    http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0482-50042010000100007

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  5. Assim como foi falado na postagem, estudos recentes apontam a vitamina D como um regulador do sistema imune. Além disso, a deficiência de vitamina D é relativamente comum em qualquer latitude. Isso é importante, pois a deficiência de vitamina D está relacionada com patologias mediadas pelo sistema imune e a cânceres. Como resultado disso, doenças relacionadas a alterações no sistema imune tornaram-se mais comuns nas últimas décadas, apontam alguns levantamentos. A exemplo disso temos a asma e as alergias, cujas prevalências aumentaram recentemente graças, em tese, à deficiência de vitamina D nas populações. Mais investigações precisam ser feitas antes de conclusões mais seguras, mas esses resultados já podem incentivar atitudes voltadas para a melhoria da qualidade de vida das pessoas.

    Fonte: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2812815/

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  6. Após incubação com vitamina D3, monócitos adquirem características de macrófagos maduros. Estudos indicam que vitamina D3 diminui a resposta imune de produção de IL-6, TNF-alfa e IL-1 em resposta ao LPS bacteriano.
    Os efeitos da vitamina sobre linfócitos exigem a expressão do receptor, que necessita de ativação para expressá-lo. Após a ativação, a vitamina D inibe a proliferação dos linfócitos T em resposta a citocinas principalmente por bloqueio da ação da IL-2, principal citocina responsável pela proliferação de linfócitos T.
    Admnistração dessa vitamina pode inibir doenças autoimunes, como encefalomielite e tireoidite em ratos.

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