A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa progressiva que afeta as células nervosas do encéfalo e da medula espinal. A palavra "amiotrófica" quer dizer "falta de nutrição muscular", que é justamente o que acontece em um indivíduo acometido por ELA. A diminuição da alimentação nervosa dos músculos leva ao desenvolvimento de atrofia, e tal condição evolui progressivamente até a cessação completa dos estímulos dos neurônios motores devido a sua morte. Se desenvolve geralmente em indivíduos na idade de 40 a 70 anos.
Existem dois tipos diferentes da doença, a ELA esporádica e a ELA familiar. As causas para a primeira não foram bastante esclarecidas ainda, mas acredita-se que lesões ao sistema nervoso central possam desencadear cascatas de eventos autossustentáveis que levam à morte de grupos específicos de neurônios. A disseminação ocorre principalmente quando a morte de um motoneurônio libera radicais livres, espécies reativas de oxigênio, óxido nítrico, entre outras substâncias nocivas, e acometem outros motoneurônios em sequência. A ELA familiar se desenvolve em pessoas de 10 a 15 anos mais jovens que a média na ELA esporádica (40 a 70 anos), e indícios sugerem que se deva a modificações no cromossomo 21, especificamente no braço longo deste cromossomo, no locus 22.11. Este locus codifica a enzima cobre/zinco superóxido-dismutase 1, responsável pela dismutação do íon superóxido (O−
2). Se a dismutação não ocorre, o íon se acumula, podendo se ligar ao óxido nítrico e gerar peróxidonitrila e hidroxila, todos radicais livres danosos ao sistema nervoso.
2). Se a dismutação não ocorre, o íon se acumula, podendo se ligar ao óxido nítrico e gerar peróxidonitrila e hidroxila, todos radicais livres danosos ao sistema nervoso.
A ELA afeta principalmente os neurônios motores superiores e inferiores (NMS e NMI), levando ao aparecimento de clônus e sinal de Babinski quando os NMS são afetados, e atrofia e fasciculações quando afeta os NMI. Não há relatos de que a ELA afete funções corticais superiores, como capacidade cognitiva e memória, ou alterações nos sentidos, como audição, visão e olfato, e ainda comprometimento de algumas funções autonômicas, como função cardíaca, digestão, defecação, micção e controle da temperatura e pressão sanguínea. Entretanto, a ELA afeta a respiração, porque ainda que os pulmões funcionem fisiologicamente, os músculos respiratórios, como os mm. intercostais internos e externos, estão com seus movimentos comprometidos, o que dificulta a respiração no paciente acometido por essa disfunção. Também há problemas com a deglutição, visto que ela depende de músculos esqueléticos, assim como a respiração, parar acontecer normalmente.
Com toda esta problemática estabelecida, pesquisas recentes vêm encontrando na vitamina D um potencial tratamento para interromper o progresso da ELA ou até mesmo reverter seus efeitos, devolvendo aos indivíduos afetados suas funções musculares normais. A principal ação da vitamina D enquanto método terapêutico contra a ELA é dividida em dois aspectos: a capacidade de diminuir respostas imunológicas exacerbadas e a mitigação de danos por excesso de cálcio e glutamato nos neurônios. Os linfócitos T e B e as células apresentadoras de antígenos expressam receptores de vitamina D, e a ação desta naqueles é de supressão de proliferação, supressão da secreção de imunoglobulinas e interleucinas, diminuindo a chance de ocorrência de uma resposta autoimune. Em relação ao cálcio e ao glutamato, as ações da vitamina D são de retirada do primeiro dos neurônios motores, evitando hiperconcentrações potencialmente danosas, e, no caso do segundo, regulação positiva das enzimas glutamato-cisteína ligase e glutationa redutase, a fim de prevenir altas concentrações de glutamato e estimular a produção do antioxidante glutationa.
Apesar de apresentar bons resultados em seus testes, a dosagem de vitamina D nos tratamentos contra a ELA é geralmente alta, variando entre 400 e 2000 IU/dia, chegando até a 20000 IU/dia em alguns testes. Excesso de vitamina D pode causar hipercalcemia, e esse aumento nos níveis séricos de cálcio levam a pioras em quadros de aterosclerose e doenças renais, além de complicações renais em doenças como tuberculose, sarcoidose, hiperparatireoidismo e casos de linfomas. Existe um futuro promissor no tratamento da ELA com vitamina D, só há que se ter cuidado com os efeitos colaterais dessa suplementação.
Fontes: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA. ELA. Disponível em: http://www.abrela.org.br/default.php?p=texto.php&c=ela. Acesso em: 17 de mai. 2015.
HALICKA, H. D.; ZHAO, H.; Li, J.; TRAGANOS, F.; STUDZINSKI, G. P.; DARZYNKIEWICZ. Attenuation of constitutive DNA damage signaling by 1,25-dihydroxyvitmin D3. Aging, New York, v.4, n. 4, p. 270-278, 2012.
THE ALS ASSOCIATION. What is ALS. Disponível em: http://www.alsa.org/about-als/what-is-als.html. Acesso em: 17 de mai. 2015.
GIANFORCARO, A.; HAMADEH, M. J. Vitamin D as a Potential Therapy in Amyotrophic Lateral Sclerosis. CNS Neuroscience & Therapeutics, New Jersey, v. 20, n. 2, p. 101-111, 2014.
U.S. DEPARTMENT OF HEALTH AND HUMAN SERVICES. Vitamin D. Disponível em: http://ods.od.nih.gov/factsheets/VitaminD-HealthProfessional. Acesso em: 17 de mai. 2015.
OSHIRO, R. How does vitamin D work on multiple sclerosis?. Disponível em: https://www.vitamindcouncil.org/blog/how-does-vitamin-d-work-in-multiple-sclerosis/. Acesso em: 17 de mai. 2015.
Fontes: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA. ELA. Disponível em: http://www.abrela.org.br/default.php?p=texto.php&c=ela. Acesso em: 17 de mai. 2015.
HALICKA, H. D.; ZHAO, H.; Li, J.; TRAGANOS, F.; STUDZINSKI, G. P.; DARZYNKIEWICZ. Attenuation of constitutive DNA damage signaling by 1,25-dihydroxyvitmin D3. Aging, New York, v.4, n. 4, p. 270-278, 2012.
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GIANFORCARO, A.; HAMADEH, M. J. Vitamin D as a Potential Therapy in Amyotrophic Lateral Sclerosis. CNS Neuroscience & Therapeutics, New Jersey, v. 20, n. 2, p. 101-111, 2014.
U.S. DEPARTMENT OF HEALTH AND HUMAN SERVICES. Vitamin D. Disponível em: http://ods.od.nih.gov/factsheets/VitaminD-HealthProfessional. Acesso em: 17 de mai. 2015.
OSHIRO, R. How does vitamin D work on multiple sclerosis?. Disponível em: https://www.vitamindcouncil.org/blog/how-does-vitamin-d-work-in-multiple-sclerosis/. Acesso em: 17 de mai. 2015.
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ResponderExcluirFoi dito na postagem que excesso de vitamina D pode causar hipercalcemia, e esse aumento nos níveis séricos de cálcio levam a pioras em quadros de aterosclerose e doenças renais, além de complicações renais em doenças como tuberculose, sarcoidose, hiperparatireoidismo e casos de linfomas. Além disso, é importante acrescentar que estudos atuais têm relacionado a deficiência de vitamina D com várias doenças autoimunes, incluindo diabetes melito insulino-dependente (DMID), esclerose múltipla (EM), doença inflamatória intestinal (DII), lúpus eritematoso sistêmico (LES) e artrite reumatoide (AR). Diante dessas associações, sugere-se que a vitamina D seja um fator extrínseco capaz de afetar a prevalência de doenças autoimunes. A vitamina D parece interagir com o sistema imunológico através de sua ação sobre a regulação e a diferenciação de células como linfócitos, macrófagos e células natural killer (NK), além de interferir na produção de citocinas in vivo e in vitro. Entre os efeitos imunomoduladores demonstrados destacam-se: diminuição da produção de interleucina-2 (IL-2), do interferongama (INFγ) e do fator de necrose tumoral (TNF); inibição da expressão de IL-6 e inibição da secreção e produção de autoanticorpos pelos linfócitos B.
ResponderExcluirhttp://luminuslife.com.br/uploads/profissionais-da-saude/20140203163615_vitamina-d-4.pdf
Além da ELA, pode-se perceber a relação da vitamina D com outras doenças, como a espondilite anquilosante (EA). Atualmente, sabe-se que a vitamina D desempenha um papel imunossupressivo no organismo, e ultimamente tem havido interesse no papel dessa vitamina em doenças autoimunes. A inflamação pode ser responsável por parte da perda da densidade mineral óssea observada em pacientes com EA. Em estudos, pôde-se perceber que pacientes com EA - como ocorre em outras doenças autoimunes - parecem ter níveis mais baixos de vitamina D, em comparação com controles saudáveis; entretanto, a causa para tal fenômeno é obscura. Ainda está por ser descoberto se a deficiência de vitamina D é fator predisponente para a ocorrência de EA, e se a manutenção de níveis satisfatórios de vitamina D pode melhorar os desfechos em pacientes com EA.
ResponderExcluirFonte: Níveis de vitamina D na espondilite anquilosante: a deficiência corresponde à atividade da doença?, disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0482-50042014000400330&lang=pt
A vitamina D atua em moléculas do sistema imune inato como as de ‘MHC de classe II’, que desempenham um papel importante no sistema imune e são essenciais na defesa contra a infecção. Alguns estudos afirmam que vários genes na região de MHC promovem a susceptibilidade para a ELA. Moléculas humanas MHC da classe II são codificados por três diferentes antígenos: HLA-DR, HLA-DP e HLA-QD. Diversos estudos indicam que a vitamina D3 promove a supressão da expressão de antígenos MHC de classe II, regulando a função imune, trazendo resultados benéficos ao portador de ELA. Os dados do estudo sugerem também que a vitamina D modula as vias de TRL (receptores envolvidos na resposta imune inata), o que interessa muito ao tratamento do portador de ELA.
ResponderExcluirBlog Terapia de Reposição Hormonal em Mulheres
ResponderExcluirEstudos genéticos têm proporcionado oportunidades de identificar as proteínas que apontam vitamina D à patologia Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). A vitamina D tem um efeito útil na ELA por vários fatores, como, por exemplo, a supressão da expressão de MHC de classe II, melhorando TLR (ambos os efeitos abordados no comentário anterior) e down-regulating de PARP-1. PARPs compreendem uma família de enzimas que estão envolvidas numa vasta gama de processos moleculares e celulares, incluindo a manutenção da estabilidade do genoma, a regulação da estrutura da cromatina e a transcrição, a proliferação celular e apoptose. A expressão da enzima PARP reparação do DNA ocorre em resposta a lesões oxidativas do DNA. No cérebro de uma pessoa com ELA, a expressão de PARP é aumentada no córtex motor, córtex parietal e cerebelo. Expressão de PARP é aumentada em astrócitos da glia, mas é diminuída em neurônios motores na medula espinhal de pacientes com ELA esporádica. Observa-se então grande importância na análise dessas vias e processos, de forma que sejam desenvolvidos tratamentos eficazes e com o mínimo de efeitos colaterais. O tratamento com vitamina D pode ser um começo, mas como bem disse a postagem, as doses extremamente elevadas podem levar a complicações vasculares, renais, etc. Isso reafirma a necessidade de conhecimentos mais aprofundados sobre essa doença desmielinizante.
Fonte: Roles of vitamin D in amyotrophic lateral sclerosis: possible genetic and cellular signaling mechanisms
Disponível em: < http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3641959/?tool=pubmed >