Não é difícil encontrar indivíduos que ao menos
já tenham ouvido falar em terapias com suplementação de vitamina D. Mas, afinal
de contas, o que é a vitamina D?
A vitamina D é uma vitamina lipossolúvel que
regula a homeostase de cálcio e é de suma importância para a saúde óssea. Além
de fontes alimentares, o nutriente é sintetizado pelo corpo a partir do
7-desidrocolesterol que é exposto aos raios UVB provenientes do sol, processo que
se dá principalmente nas camadas espinhosa e basal da epiderme. A vitamina
produzida na pele humana é a vitamina D3, ou colecalciferol, ao
passo que a vitamina D2 é produzida por vegetais.
As vitaminas D2 e D3 circulantes
no sangue ainda não se encontram na forma biologicamente ativa, sendo
necessário seu transporte ao fígado e aos rins pela sua proteína de ligação
própria e, com menor expressão, pela albumina. Ao chegar no fígado, a vitamina
D3 passa por uma hidroxilação, resultando em
25-hidróxicolecalciferol, ou simplesmente calcidiol. Este composto vai para os
rins, onde se tornará 1, 25-dihidróxicolecalciferol, ou calcitriol.
Figura 1
![]() |
| Fonte: PREMAOR, 2005, p. 27. |
Os mecanismos de ação principais da
vitamina D são mediados por um fator nuclear de transcrição, o receptor de
vitamina D. Se ligando a esse receptor, o complexo formado pelos dois recruta
outro fator, o receptor X retinoide. O complexo formado pelos 3 componentes
agora vai estimular a ligação de determinados segmentos de DNA, conhecidos como
elementos de resposta à vitamina D, a fim de iniciar uma cascata de interações
moleculares e modular a transcrição de genes específicos para as funções da
vitamina em questão.
Essas funções compreendem, entre
outras, o controle dos níveis séricos de cálcio e fósforo, além de inibir a
proliferação celular e estimular sua diferenciação, característica que
dificulta o surgimento de cânceres. A vitamina D também estende sua atuação ao
sistema imune, no qual ela regula a resposta imune, com participação mais
expressiva no aumento da resposta imune inata e na prevenção do desenvolvimento
de autoimunidade.
A deficiência de vitamina D, em
infantes, causa raquitismo e, em adultos, osteomalácia. As duas condições são
semelhantes, porque levam à desmineralização dos ossos. Nas crianças, pode
causar fechamento tardio das fontanelas do crânio, ou moleiras, e deformação da
caixa torácica devido à ação do músculo diafragma. Nos adultos, a
desmineralização progressiva leva a um quadro de amolecimento ósseo, dor óssea
e aumento do risco de osteoporose.
Figura 2
![]() |
| Fonte: Look For Diagnosis |
Fontes: Higdon,
J.; Drake, V. J.; Delage, B.; Gombart, A. F. Vitamin D. Disponível em: http://lpi.oregonstate.edu/mic/vitamins/vitamin-D.
Acesso em 10 de mai. 2015.
Figura 1: Premaor,
M. O., Furlanetto, T. W.
Hipovitaminose
D em Adultos: Entendendo Melhor a Apresentação de Uma Velha Doença. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 50, n. 1, p. 25-37, 2005.
Figura 2: Disponível em: http://www.elitearteydanza.com.ar/apuntes/conceptos-basicos-del-cuerpo-humano/anatomia/79-Raquitismo.jpg; acesso em 10 de maio de 2015.


A vitamina D tem o papel de bloquear reações anormais do sistema imunológico , atuando à maneira de um hormônio sobre mais de duzentos genes do organismo humano. A maioria dos pacientes com doenças autoimunes apresentam baixos níveis dessa vitamina no sangue. Nesse sentido, altas doses dela vêm sendo utilizadas tratamento de doenças como esclerose múltipla e artrite reumatóide. Contudo, alega-se que ainda falta suporte científico para a indicação da vitamina D como tratamento, posição da Associação Brasileira de Neurologia (ABN).
ResponderExcluirAlguns estudos indicam que a vitamina D também possa estar relacionada ao câncer. Em um desses estudos mostrou-se que o aumento do nível de 25-hidroxivitamina D diminuiu em 11% a ncidência de câncer e em 17% a redução da mortalidade por câncer. Variações no gene que codifica o gene do receptor de vitamina D também podem estar relacionados à certos tipos de câncer, inclusive alguns tumores malignos apresentaram expressão do receptor de vitamina D, como os cânceres de pulmão, mama, pele e cólon.
ResponderExcluirInteressante a postagem sobre a vitamina D, que, assim como as outras vitaminas, é importantíssima para a nossa saúde. É pertinente observar a aparente contradição na produção e efeitos da vitamina D. Essa vitamina é produzida pela pele exposta ao Sol, o que pode levar alguns a pensar que devem então aumentar sua exposição aos raios solares. No entanto, uma grande exposição a esses raios pode causar um efeito que, de acordo com a postagem, a própria vitamina D ajuda a evitar: o surgimento de um câncer. Logo, aprecie o Sol com moderação!
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirÉ inegável o papel que a vitamina D possui na saúde óssea. Entretanto, sua função não se resume a isso. Nos últimos anos, vários estudos evidenciam que a função da vitamina D se estende muito além da saúde óssea, incluindo a regulação do sistema imunológico (como mencionado no primeiro comentário anterior) e efeitos antiproliferativos nas células (como mencionado no segundo comentário), podendo ainda desempenhar papel importante na fisiologia do sistema cardiovascular. Evidências crescentes demonstram forte associação entre hipovitaminose D e hipertensão arterial sistêmica, síndrome metabólica, diabetes mellitus e aterosclerose, podendo representar, pois, um fator de risco cardiovascular emergente. Os mecanismos pelos quais a vitamina D exerceria seus efeitos cardio e vasculoprotetores ainda não estão completamente esclarecidos, mas há inúmeras evidências de que ela possa exercer importantes papéis na regulação do sistema renina-angiotensina, nos mecanismos de secreção e sensibilidade à insulina e na atuação das citocinas inflamatórias, além de ações cardíacas e vasculares diretas. Observa-se que muitos desses fatores que sofrem influência da ação biológica da vitamina D estão relacionados com a pressão arterial, principalmente por interagir com o sistema renina-angiotensina. Além disso, a associação com diabetes mellitus, aterosclerose, etc., dialogam com a ideia da associação entre a hipovitaminose D e o desenvolvimento de síndrome metabólica. Conclui-se então a importância dos níveis adequados de vitamina D no organismo.
ResponderExcluirFonte: Deficiência de vitamina D: um novo fator de risco cardiovascular?
Disponível em: http://pesquisa.bvsalud.org/portal/resource/pt/lil-742407
O raquitismo também pode ser causado por resistência à vitamina D, o que se constitui numa doença genética autossômica recessiva. Embora o receptor tenha afinidade normal pela vitamina D, apresenta baixa atividade no DNA. A pessoa afetada pode apresentar parestesias ou cãimbras. O diagnóstico pode ser feito por exames de sangue (Fosfatase alcalina, fosfato, cálcio, creatinina,bicarbonato...) por testes de urina(pH, fosfato, calcio e creatinina), radiografias de pulso, mãos ou tornozelo ou ultrassom do rim a procura de nefrocalcinose.
ResponderExcluirFONTE:http://adc.bmj.com/content/88/5/403.full
Os agravos decorrentes da carência de vitamina D, como o raquitismo e a osteomalácia, citados na postagem, são assuntos bastante instigantes e amplamente discutidos.O Raquitismo por deficiência de vitamina D acontece quando há deficiência de metabólitos da vitamina D. Menos comumente, a deficiência dietética de cálcio ou fósforo, também pode estar associada ao Raquitismo. Essa patologia pode levar a deformidade óssea e baixa estatura. Nas mulheres, a distorção pélvica provocada pelo doença pode causar mais tarde problemas com o parto. Fisiologicamente, o mecanismo também é bastante interessante. O Colecalciferol, a vitamina D-3, é formada na pele, como dito na postagem. Ele passa por hidroxilação em duas etapas. A primeira ocorre a hidroxilação na posição 25 no fígado, produzindo calcidiol (25-hidroxicolecalciferol), o qual circula no plasma como o mais abundante dos metabolitos de vitamina D. O segundo passo de hidroxilação no rim ocorre na posição 1, onde sofre hidroxilação para o calcitriol metabolito activo (1,25-di-hidroxicolecalciferol). O Calcitriol regula o metabolismo do cálcio. O Calcitriol também pode facilitar diretamente calcificação. Estas acções resultam num aumento das concentrações de cálcio e fósforo no fluido extracelular. Este aumento de cálcio e fósforo no fluido extracelular, por sua vez, leva à calcificação de osteóide, principalmente nas extremidades metafisárias de crescimento dos ossos, mas também ao longo de todo o osteóide do esqueleto. Quando ocorre deficiência de vitamina D, percebe-se uma hipocalcemia, o que aumenta o excesso de secreção do hormônio da paratireóide. Logo, a perda de fósforo renal é aumentada, diminuindo ainda mais a deposição de cálcio no osso e contribuindo para a patologia em questão.
ResponderExcluirhttp://vitaminadbrasil.org/2013/10/14/magnesio-potencialmente-aumenta-a-protecao-da-vitamina-d-contas-as-doencas-cardiacas-cancer-e-morte/